Conheça o Tietê de um jeito diferente


No dia do principal rio de São Paulo, o Jornal Hoje mostra o Tietê do alto. Praias e bancos de areia revelam o quanto o rio baixou.


Hoje (22) é dia do Tietê. Para homenagear o principal rio de São Paulo, o Jornal Hoje mostra o Tietê do alto, da nascente até a foz. Com um paraquedas motorizado, o piloto e ambientalista Lu Marini percorreu todo o rio. A Serra do Mar onde ele nasce é conhecida pelas chuvas abundantes, mas no trecho, agora, o leito se transformou em poças d’água. As praias e bancos de areia revelam o quanto o rio baixou.

Mais adiante, o rio corta algumas áreas de mata e recebe os primeiros despejos de esgoto. “Cheguei em Itaquaquecetuba sentindo o cheio podre do rio. Muito seco, o cheiro fica ainda mais forte”, relata Lu Marini.

Na Grande São Paulo a água se transforma em um caldo escuro, cheio de lixo e garrafas plásticas. A caminho do interior, as primeiras cachoeiras agitam a água cheia de detergente e, de repente, o Tietê fica branco. A espuma desapareceu quase 100 km depois, em Porto Feliz. Entretanto, o rio permaneceu morto. “Estou vendo coisas que não gostaria. Descaso ambiental, devastação, animais mortos”.

Na região central do estado, em Conchas, finalmente o Tietê começa a superar a poluição. O problema é a estiagem. Há quase cinco meses não chove forte. Por causa da seca, a hidrovia Tietê-Paraná está parado. Bancos de areia e árvores, que estavam submersos, agora fazem parte da paisagem.

Nessa aventura que durou 20 dias, o piloto voou sempre pela manhã e no fim da tarde, quando o vento costuma ser mais fraco e o céu mais limpo. Isso para aumentar a segurança do voo e melhorar a qualidade das imagens.

Quase no fim da expedição de 1.136 km, o Tietê ressurge cheio de vida em Pereira Barreto. “A minha geração não vai ver ele limpo, não vai com certeza. Meu trabalho é conscientizar as crianças para que elas façam alguma coisa”, fala esperançoso.